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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Mostra LABIC 2021 reúne solos de dança

 

Seis artistas que integram o Laboratório do Intérprete-Criador (Lab.IC) apresentarão seus trabalhos solo de dança no dia 17 de dezembro (sexta-feira), às 19h, na MOSTRA LABIC 2021. Gratuito e on-line, o evento será transmitido pelo canal no YouTube do Portal Dança no ES, que é parceiro do projeto, e reunirá o resultado prático das pesquisas em dança realizadas pelos participantes ao longo do funcionamento do núcleo. Com apoio do Rumos Itaú Cultural 2019-2020, a edição do Lab.IC deste ano iniciou suas atividades em setembro, com encontros virtuais semanais, contemplando com bolsa seis artistas-criadores do estado do Espírito Santo interessados em desenvolver projetos solo em dança. Os trabalhos permanecerão disponíveis por 15 dias no YouTube.


A Mostra apresenta resultados da pesquisa de seis artistas residentes do ES. Foto: Farley José.


Voltada para a apresentação virtual, a MOSTRA LABIC 2021 trará principalmente videodanças e videoperformances, além de outros formatos que complementem a exposição dos processos criativos dos participantes, tais como sites, canais pessoais, playlists e portfólios que poderão ser acessados através de links compartilhados. Assim, o espectador, além de assistir aos vídeos produzidos a partir do laboratório, poderá percorrer esse mapeamento criativo de cada artista-pesquisador – o que também está em sintonia com os objetivos do Lab.IC enquanto núcleo de compartilhamento e desenvolvimento de pesquisas.

“Essa mostra vai ser diferente da primeira edição, porque ela vai ser integralmente on-line. É quase uma síntese, um recorte das escolhas das pessoas participantes, do que elas estão interessadas em mostrar para o público como resultado do andamento das pesquisas durante o Lab.IC. Mesmo sendo um formato on-line, a gente vai ter uma variedade muito grande de possibilidades de mostrar isso dentro do campo virtual”, explica a coordenadora e idealizadora do projeto, Ivna Messina.

As temáticas de cada trabalho solo também são diversas. Os seis integrantes do Lab.IC partiram de suas vivências para aprofundar suas pesquisas, trazendo para o debate e para a dança apontamentos sobre diversidade, religião, estereótipos, ancestralidade, pertencimento, ecoperformance, exploração do meio ambiente, descolonização do corpo, objetificação do corpo da mulher negra, entre outros.

Antes de serem propostas artísticas finalizadas, as obras produzidas são resultado de uma etapa de trabalho, que tem o potencial de se desdobrar futuramente na continuidade da pesquisa individual e em novas criações ou adaptações para o formato presencial. Segundo Ivna, a Mostra é, na verdade, resultado de parte de um percurso.

“Depois que o projeto se encerrar, cada participante vai ter a liberdade de pegar essa pesquisa e transformá-la no formato que tiver mais interesse, podendo criar documentários, vídeos, filmes, webséries, espetáculos, oficinas, metodologias... Então pode ser que, no futuro, a gente tenha espetáculos e outros projetos cuja semente tenha sido plantada agora, na segunda edição do Lab.IC”, aposta.

 

Roda de conversa

No dia seguinte à apresentação dos trabalhos da MOSTRA LABIC 2021, no dia 18 de dezembro (sábado), às 14h, será realizado um bate-papo com os participantes do Lab.IC – entre artistas que apresentam seus trabalhos, ouvintes que também integram o núcleo e equipe do projeto. A roda de conversa virtual acontecerá ao vivo pelo Zoom e será transmitida pelo canal do Portal Dança no ES do YouTube, de modo que o público poderá participar com perguntas e comentários através do chat desta plataforma. Nesse encontro aberto, os participantes poderão trocar experiências e impressões sobre os vídeos apresentados, seus processos criativos e suas pesquisas.

 

Dossiê

Além da MOSTRA LABIC 2021, o projeto promoverá a divulgação, em formato de dossiê, dos relatos de experiência dos integrantes do Lab.IC, que foram estimulados ao longo das atividades do núcleo a criar um diário de bordo sobre seus percursos criativos. Essa publicação, que consistirá em um registro por escrito de todas as pesquisas desenvolvidas, será lançada no mês de fevereiro de 2022 e disponibilizada on-line para toda a comunidade interessada. O dossiê pretende ser mais um passo importante na produção de registro e memória sobre a dança realizada no Espírito Santo.

 

Programação

- “Terra Santa” – por Farley José

- “Casa Urbana – Instalação Casa-Corpo: Muxima de N’ganga Meu Corpo Canta e Dança” – por Yuriê Perazzini

- “O Amanhã Talvez Não Exista” – por Marcelo Oliveira

- “Lavra” – por Weber Cooper

- “Ísinqé” – por Lalau Martins

- “Mover Híbrido” – por Juliander Agrizzi

 

SERVIÇO

MOSTRA LABIC 2021

Data: 17 de dezembro (sexta-feira)

Horário: 19h

Público: Livre

Local: YouTube do Portal Dança no ES

https://www.youtube.com/channel/UCCgda2tmFgJKT44Oy2B0I4A/featured

 

BATE-PAPO – MOSTRA LABIC 2021

Data: 18 de dezembro (sábado)

Horário: 14h

Público: Livre

Local: YouTube do Portal Dança no ES

https://www.youtube.com/channel/UCCgda2tmFgJKT44Oy2B0I4A/featured

 

>> Canais do Lab.IC Dança:

Instagram: https://www.instagram.com/labicdanca/

Facebook: https://www.facebook.com/labicdanca/

terça-feira, 8 de junho de 2021

Websérie Guerreiras Negras: videodança e luta contra o racismo

Diferente do que é retratado nos livros didáticos, a escravidão não dependeu estritamente da Lei Áurea para acabar. Muito antes de 1888 já haviam Dandaras, Anastácias, Aqualtumes, Marias Felipas e Zacimbas, mulheres que por vezes, de dentro dos quilombos brasileiros, lutavam contra o sistema escravagista e foram apagadas e esquecidas ao longo da história. Pensando nisso, os roteiristas Lalau Martins e Anderson Lima criaram a websérie “Guerreiras Negras”, que conta a história de luta de cinco mulheres negras num diálogo entre a dança e o audiovisual. 

Lalau Martins em cena como Dandara. Foto: Marcelo Braga.

Dividida em 5 episódios, a atriz e coreógrafa Lalau Martins dá vida a Dandara, Anastácia, Aqualtume, Maria Felipa de Oliveira e Zacimba Gaba, mulheres que foram essenciais na luta e trajetória do povo negro desde muito antes da abolição da escravidão. “Guerreiras Negras” faz uma interlocução entre presente e passado, abordando de forma artística e poética temas como racismo, liberdade e representatividade por meio da videodança e tem como objetivo dar voz e visibilidade às mulheres negras, incluindo suas trajetórias e seus contextos. 

Com direção de Anderson Lima e produção de Diego Carvalho, este projeto foi contemplado pela Lei Aldir Blanc, no edital Cultura Digital e tem o apoio do Governo do Estado do Espírito Santo, da Secretaria Especial de Cultura, do Ministério do Turismo e do Governo Federal. 

Os episódios serão exibidos sempre às quintas-feiras, e para o episódio de estreia vamos conhecer melhor a história de Dandara, no canal “Lalau Martins”, no YouTube, a partir das 20h.


SERVIÇO

Websérie Guerreiras Negras

Gratuito

Disponível no YouTube no canal Lalau Martins

Realização: Cia. VSD


domingo, 9 de junho de 2019

1º Encontro DancIdade

Entre os dias 28 e 30 de junho acontece em Vitória o 1º Encontro de Dança Contemporânea na Maturidade (DancIdade) organizado pelas integrantes do Projeto EluzArtes. O evento contará com apresentações, rodas de conversas e workshop de artistas do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Estados Unidos.

A proposta dá visibilidade a artistas da dança que seguem atuando como intérpretes, pesquisadores e criadores após os 50 anos de idade e pretende abrir mais espaço para a pluralidade de corpos que a dança contemporânea abarca, valorizando o conhecimento de artistas experientes. O Projeto EluzArtes se destaca dentro deste contexto por ser um grupo de dança formado por bailarinas de 50 a 70 anos.

Dentre os participantes do evento estarão os capixabas Elídio Netto, Gil Mendes, Carla van den Bergen, Lalau Martins, Eluza Santos e Maria Helena Braga. Participam também a carioca Sueli Guerra e os estados unidenses Bill Evans e Don Halquist.

Os ingressos já podem ser adquiridos na bilheteria do Palácio da Cultura Sonia Cabral e as inscrições para o workshop podem ser feitas pelo link encurtador.com.br/tDJKM .

Confira a programação:

Mostra de Dança seguidas de rodas de conversa
Sempre às 19h30 no Palácio da Cultura Sonia Cabral

28 de junho (sexta)
Elídio Netto (ES)
Projeto EluzArtes (ES)
Bill Evans e Don Halquist (EUA)

29 de junho (sábado)
Feminino Plural (ES)
Sueli Guerra e Alessandro Brandão - Cia da Ideia (RJ)
Bill Evans e Don Halquist (EUA)

30 de junho (domingo)
Lalau Martins - Projeto Eluzartes (ES)
Gil Mendes (ES)
Carla van den Bergen (ES)
Bill Evans e Don Halquist (EUA)

Workshop Evans Somatic Dance Technique (Integração dos Fundamentos Laban/Bartenieff e Dança)
De 9h30 às 11h30 na Escola de Ballet CriDança em Jardim da Penha.

28, 29 e 30 de junho
Com Bill Evans e Don Halquist (EUA)


Bill Evans e Don Halquist são convidados do 1ª DancIdade.

SERVIÇO
1º Encontro de Dança Contemporânea na Maturidade - DancIdade

De 28 a 30 de junho de 2019

Mostra de Dança e Rodas de Conversa (com artistas do ES, RJ e EUA)
Sempre às 19h30
No Palácio da Cultura Sonia Cabral (Praça João Clímaco, s/nº, Centro Vitória, ES)
Ingressos: R$25 (promocional) à venda na bilheteria do Sonia Cabral e nas escolas de dança CriDança, Alice Gasparini e Espaço da Dança.
Classificação indicativa: 10 anos

Workshop Evans Somatic Dance Thecnique - Integração dos Fundamentos Laban/Bartenieff e Dança (com Bill Evans e Don Halquist dos EUA)
De 9h30 às 11h30
Na Escola de Ballet CriDança (Av. Saturnino Rangel Mauro, 235, Jardim da Penha, Vitória, ES)
Investimento: R$120 até 30 de maio / R$150 após 30 de maio / R$50 aula avulsa com pagamento antecipado / R$70 aula avulsa com pagamento no dia
Inscrições pelo link: encurtador.com.br/tDJKM

Informações:  (27) 996014220

sábado, 1 de abril de 2017

Espetáculos do fim de semana

No próximo fim de semana a cidade de Vitória recebe apresentações de 2 espetáculos no Teatro Carlos Gomes e no SESC Glória. São eles Bom Sujeito de Ivna Messina e Elementos da Cia Vitória Street Dance, comandada por Lalau Martins.

Bom Sujeito / Foto: Luana D'Ávila


Bom Sujeito realiza curta temporada com 4 apresentações no Teatro Virgínia Tamanini, que fica no Centro Cultural Sesc Glória. O evento faz parte do projeto Cena Local, que seleciona através de edital grupos do ES a se apresentarem no espaço. No espetáculo, que estreou em 2016, a artista traça uma relação entre o Flamenco, o Samba e o Carnaval através das memórias de uma mulher só.

Elementos da Cia VSD

Já Elementos, que faz única apresentação no Teatro Carlos Gomes e estreou também em 2016, propõe levar ao palco  os elementos básicos do Hip Hop para esse espaço incomum ao estilo de dança
No espetáculo, os movimentos funcionam como metáforas para as transformações urbanas, o advento de novas tecnologias, as modificações das relações de trabalho e a velocidade da vida cotidiana. Na mesma noite se apresentarão também, como convidados os grupos Cyza Cia de Dança (Montanha), Estrelas da Dança (Pedro Canário), Heels Dance (Vila Velha) e Unbutu Fristaili (Vila Velha).


SERVIÇO

Cena Local apresenta: Espetáculo Bom Sujeito - com Ivna Messina
De 7 a 9 de abril de 2017
Sexta e sábado às 19h30, domingo às 18h e às 20h
No Teatro Virgínia Tamanini (Centro Cultural Sesc Glória. Av Jeronimo Monteiro, 428. Centro, Vitória)
Ingressos: R$10 inteira, R$5 meia, R$6 comerciantes e credenciados

Espetáculo Elementos - com Cia Vitória Street Dance
Dia 8 de abril de 2017
Às 19h30
No Teatro Carlos Gomes (Praça Costa Pereira, s/nº, Centro, Vitória)
Ingressos: R$10 inteira, R$5 meia

sábado, 26 de novembro de 2016

Apresentações da VSD

A Cia Vitória Street Dance, dirigida por Lalau Martins, apresenta o espetáculo Elementos nos municípios de Cariacica e Viana.
Recentemente estreado, o trabalho apresenta os elementos básicos do Hip Hop em um espaço incomum para esse estilo de dança, o palco italiano.
No espetáculo, os movimentos funcionam como metáforas para as transformações urbanas, o advento de novas tecnologias, as modificações das relações de trabalho e a velocidade da vida cotidiana.
Elementos foi montado com apoio da Lei de Incentivo a Cultura João Bananeira, do município de Cariacica.


SERVIÇO
Cia VSD apresenta Elementos

Dias 29 e 30 de novembro de 2016
Sessões às 9h e às 14h 
No Centro Cultural de Cariacica - Frei Civitella del Tronto (Av. Expedito Garcia, nº 05, Cariacica)
Gratuito

Dia 02 de dezembro de 2016
Às 19h
No Teatro Municipal de Viana (Viana Sede, ao lado da Prefeitura Municipal)
Ingressos: R$20 inteira / R$10 meia entrada


domingo, 9 de outubro de 2016

VSD estreia espetáculo no Carlos Gomes

A Vitória Street Dance Cia de Dança, dirigida por Lalau Martins, apresenta seu mais novo espetáculo no Teatro Carlos Gomes, no último fim de semana de outubro.
Sob o título de "Elementos", o grupo, que se dedica à pesquisa das danças urbanas, leva ao palco os três principais elementos que marcam esse estilo - o freestyle (improviso), as batalhas e os saifers (espaço circular que se forma para que a apresentação de dança se inicie) - colocando em confronto suas maneiras tradicionais de apresentação com o espaço cênico do palco italiano.
Construído em processo colaborativo, o espetáculo mescla as impressões e histórias dos próprios intérpretes às composições de movimento.



SERVIÇO
Cia VSD apresenta Elementos - direção Lalau Martins
Dia 29 de outubro de 2016
20 horas
No Teatro Carlos Gomes (Pç Costa Pereira, s/nº, Centro, Vitória, ES)
Ingressos: R$10 (inteira) / R$5 (meia)
Informações: https://www.facebook.com/events/1105376502891512/

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Papo Reto com Lalau Martins

Entre o palco e a rua, na origem das danças urbanas no Estado, Lalau Martins identifica seu espaço e conta sua história para o Dança no ES


Com samba correndo nas veias desde criança, seria muito difícil que o popular e o urbano estivessem distantes da carreira de Lalau Martins, artista precursora das danças urbanas no Estado e coreógrafa da Mocidade Unida da Glória (MUG). Muito jovem e dotada de nítida habilidade corporal, Lalau começou na ginástica olímpica, passou pelo basquete (em ambos os esportes, foi atleta), até chegar definitivamente à dança. Já como professora, a artista se aproximou da dança de rua, na qual decidiu se especializar. Começou a dar aulas em academias de Vitória, algo que não se via na época, uma vez que o break existia no Estado de forma restrita a manifestações espontâneas em parte da periferia. Lalau fundou o grupo Vitória Street Dance (Cia VSD) há 19 anos, o primeiro na modalidade, e levou a dança de rua para os palcos e festivais de dança conhecidos nacionalmente, ganhando grande repercussão. A fim de ampliar espaços de visibilidade na Grande Vitória, a artista criou o Festival de Street Dance, que contou com seis edições até hoje e deverá voltar – ela promete! Lalau Martins, além de trabalhar também com projetos sociais em dança, encontra tempo e espaço para outra paixão: o carnaval. Há quase dez anos na MUG, chegou a coreografar comissões de frente, carros alegóricos e o Samba Show, trabalhos sempre muito bem reconhecidos na área. Para ela, a nota é sempre 10!

Confira a entrevista!



Foto: Thayrone Hideki


DNES: Quais são suas atividades hoje na dança?


Lalau - Eu estou no Projeto Cajun há dez anos. Lá, trabalho com crianças de 6 a 15 anos, com dança de uma forma geral. Também estou em Pedro Canário, faço monitorias lá. Os alunos dançavam, mas não sabiam o que era a técnica. Eu conheci a Fabiana Alves, que coordena o projeto, quando eu fazia o Festival de Street Dance aqui em Vitória. Na ocasião, o grupo dela veio para cá para poder se apresentar e percebi um material humano muito bom na dança. Ela me convidou para ir trabalhar lá só com a turma avançada e aplicando técnicas mesmo. Aos poucos, fomos fazendo uma renovação na dança lá dentro, porque a cultura popular é muito forte lá, então, é meio difícil eles aceitarem a técnica, que é enjoada mesmo. Se você é da área de dança popular, o clássico se torna massacrante. Hoje, o nível da dança deles cresceu muito. Além disso, trabalho com a MUG como coreógrafa.


Conte um pouco sobre sua história. De onde partiu seu interesse pela dança?


A dança, de modo geral, entrou na minha vida pela ginástica olímpica. Aos nove anos, eu comecei a fazer ginástica olímpica na escola. Era uma alemã que dava aula de Educação Física e havia um núcleo muito forte. Quando saí do primário, me viram com esse potencial na aula e me chamaram. Com três meses na equipe da escola, me chamaram para começar a treinar junto com a seleção capixaba e não parei mais. Fui atleta do Estado durante muitos anos, porque, depois da ginástica olímpica, ainda fui para o basquete.

Foi na ginástica olímpica o meu primeiro contato com a dança por causa do solo, nós tínhamos que fazer aulas de clássico para a dança ficar melhor. Fui me interessando pela dança. E minha família adora música, meu pai sempre gostou. Por causa da ginástica, conheci muita gente de outros esportes. A gente fazia muita corrida de 100 metros na pista de atletismo, por causa do salto sobre a mesa (que, antes, era sobre o cavalo), para ter aquela explosão ao saltar. Um técnico de vôlei, que fazia faculdade, tinha que montar um time de basquete e, como me conhecia e via que eu tinha muita velocidade, me chamou também. Eu fui e, depois disso, fiquei no basquete, joguei até uns 35 anos.

Houve um período, quando acabei o segundo grau, que eu falei “não quero só isso, eu quero dançar”. Todo dia, quando ia para o Colégio Nacional, no Centro de Vitória, eu ouvia as músicas de dança da academia Alice Gasparini. Um dia eu subi as escadas, perguntei como era, disse que eu queria fazer aula. Fui fazer aula normal, como iniciante, aí a Alice falou “você não pode ficar nessa turma, você tem a dança muito desenvolvida”. Ela disse “em vez de você fazer só as aulas de jazz, faz todas as aulas que você quiser e eu te dou bolsa aqui, mas não pode faltar”. Assim, eu comecei a fazer clássico, jazz, contemporâneo e afro. Comecei a fazer todas as modalidades que eu podia, cheguei até a turma avançada. Aí ela perguntou se eu queria começar a dar aula. Comecei e foram 12 anos na Alice dando aula.


E o contato com a dança de rua, como se deu?


Nesse período de dar aula na academia, ela falou “por que você não dá uma viajada, vai fazer alguns cursos para conhecer mais”. Fiz curso de ginástica, de ritmos, que envolvia vários ritmos brasileiros, inclusive o street funk, fiz clássico e jazz. Fui fazer muitos cursos em Poços de Caldas (MG). À noite, aconteciam várias apresentações de dança, muito aeróbica, que estava na moda na época. Quando eu vi o Grupo de Dança de Rua do Brasil, falei: “é isso o que eu quero pra minha vida”. Eu já tinha essa coisa do black, do amor pelo Michael Jackson, mas, quando eu vi um grupo verdadeiramente no palco e não num vídeo, aquilo me encantou de uma forma... Aí eu cheguei a Vitória e falei para a Alice “quero me especializar nisso”. Ela disse “se é isso o que você quer, vamos estudar um pouco mais antes de colocar aqui na academia”.

Aqui tinha a periferia com o break, até bem forte, mas não existia aula em academia, nem palco. Guardei uma grana e fui para Santos, tinha que ir para onde estava o grupo estourado no Brasil. Fiz de break até tudo o que você pode imaginar dentro de dança de rua. Quando voltei, abrimos a turma, “bombou”, prejudicou muito a professora de jazz [risos]. Estavam começando a aparecer vídeos na televisão, não teve jeito. Depois, as coisas foram se assentando. A primeira apresentação de dança de rua em Vitória foi com a academia da Alice, no festival dela. Eu saí da academia dela e fui para Karla Ferreira, fui dando aula. Eu, praticamente, só dancei três coreografias de dança de rua, não me lembro de ter dançado mais. Sempre fui dando aula e montando coreografia. Não tinha grupo da minha faixa etária para dançar.


E, então, você montou o Vitória Street Dance com os alunos?


Montei o Vitória Street Dance (Cia VSD) com os alunos avançados, há 19 anos, e, nesse percurso, eu já estava muito envolvida com a dança e a Prefeitura começou a me chamar para dar aulas. Eu não podia porque estava com muitos lugares para dar aula, já que eu também dava jazz, clássico, afro, aula de tudo. Comecei a dar aula para duas turmas à noite em Andorinhas e foi ali que se fortificou o VSD. Já existia o grupo, mas ali que ganhou força porque havia uma base infantil do Vitória Street Dance lá, e a gente já estava em outra academia também. Então, eu fiquei com a turma infantil e com a dos jovens, mais avançados.

Chegou um período em que nós fomos para o Festival Internacional de Hip Hop, em Curitiba, os dois grupos conseguiram se classificar para o festival internacional, tanto o infantil quanto o adulto. E, até hoje, eu tenho aluno que começou lá em Andorinhas e continua comigo.


O Festival de Street Dance surgiu como?


Como eu já tinha o VSD, precisava fazê-los se desenvolverem mais, praticarem mais. Ao mesmo tempo, várias outras escolas já estavam com aulas de dança de rua também, começou a ter outros grupos dançando no bairro. Eu pensei: “está na hora de eu fazer um festival para botar esse povo para dançar”, e não tinha onde dançar a não ser em pracinha. Foi quando eu fiz o primeiro Festival de Street Dance, no Teatro Carlos Gomes, no início dos anos 2000.

Eu pensava que, se eles não tivessem um lugar de respeito para dançar, essa movimentação toda poderia acabar. Eu fiz o festival, foram seis edições de muito sucesso. Ele se expandiu, o interior vinha para dançar com a gente. Fui para Venda Nova, fiquei um tempo dando aula lá também. Depois, você já via, em todos os festivais de escolas de dança, coreografias de street dance. Foi um grande “boom”. Está na hora de voltar com o festival...

Com o meu grupo mesmo, viajei muito para São Paulo, Rio, Curitiba. O VSD ia muito para esses lugares para festivais. Aqui em Vitória, nós passamos uns cinco anos ganhando todos os festivais que havia, inclusive quando tinha modalidades diferentes de dança.

Depois de um tempo, eu retornei com um espetáculo, que também foi uma novidade (nunca tinha tido espetáculo de danças urbanas em Vitória), que foi o “Contemporaneidade em Dança de Rua”, há três anos.


Foi o que vocês fizeram pelo edital da Secult de Residência, né? Como foi esse espetáculo?


Foi ótimo. Foi um trabalho muito árduo para os meninos porque, geralmente, quando o pessoal das danças urbanas chega, principalmente o pessoal de periferia, que tem enraizado o break, eles não abrem o leque de informação (na cabeça), não percebem que, se fizerem outras modalidades, aglutinarem movimentos à dança urbana, podem melhorar o repertório deles como dançarinos. Eu falei “quero que vocês entendam a dança melhor dentro do corpo de vocês, porque, só eu falando, não está dando para entender”.

Conheci o Bruno Duarte, que veio coreografar o grupo, já sabia do trabalho dele como dançarino com o Grupo de Rua de Niterói, que mistura o hip hop, a dança de rua, com o contemporâneo. Eu o chamei, perguntei se ele queria fazer esse trabalho com os meninos – eles já o conheciam e tinham muito respeito pelo trabalho dele. Falei que queria trabalhar com dança de rua e contemporâneo, mais próximo às referências de Pina Bausch e Rudolf Laban. No início, foi muito sacrificante. A primeira rejeição deles foi tirar o tênis para dançar descalço.


Este ano, você vai estrear um novo espetáculo com seu grupo. Como será?


Este ano, é o retorno da Cia Vitória Street Dance (VSD) com o espetáculo novo. A previsão para estreia é agosto. Esse espetáculo será bem alegre. O Contemporaneidade, que foi o primeiro espetáculo, era mais intimista. Os meninos tinham vergonha de se mostrar, então, nós procuramos usar essa introspecção deles e jogar com isso. Esse não, é bem pra cima, com muita coreografia atualizada, tem um trecho com bastante afro, que é o afro house, que eles gostam de dançar. Eu acho que o afro house tem muito a ver com o Brasil, a velocidade do house associada aos movimentos do afro é algo muito bom.


Como você vê a referência que eles trazem do espetáculo anterior para esse agora? É um processo que teve continuidade ou você está partindo de outra premissa?


Antes, eles não coreografavam, tinham medo, era só o improviso. Hoje, eu falo com eles “a música é essa, o trecho é esse, eu quero a coreografia”, e eles montam sem medo. Eles sobem no palco de uma forma completamente diferente de antes, são muito profissionais. Nesse espetáculo, eu vou fazer, praticamente, direção artística e coreográfica, eles que vão criar. Quanto mais eles exercitarem a criação, não só fazerem o free style, criarem e mantiverem aquela coreografia, melhor, já que eles têm dificuldades de criar e manter a mesma coisa. Eu vou direcionando todo mundo, a gente está indo para um espetáculo, não está num improviso, tem diferença.


O que define a dança de rua e qual a relação com o break e a cultura hip hop? Em que medidas são ressaltados o estilo, a estética e seu sentido político?


Ela tem essa identidade com o break porque ele foi a primeira expressão corporal do movimento hip hop, junto com essa sonoridade, a música, que vem até hoje com a black music, o funk americano, então, tem muita referência do break sim. Principalmente quem é leigo, se vai assistir a uma coreografia de dança de rua e não vê algum elemento do break, se confunde, acha que não é dança de rua. Existe uma evolução histórica da dança até hoje. O divisor do break para as danças urbanas de hoje foram os clipes do Michael Jackson, que usava alguns passos do break, mas dançava muito mais em pé – e, no break, o pessoal usa muito o chão, não se usava tantos saltos. De lá pra cá, houve muita mudança, muita construção de movimento. Hoje, há vários estilos nas danças urbanas, como Twerk, Afro House, Dancehall, Ragga Jam, entre muitos outros.

O break fica mais enraizado com a questão política. As danças mais atuais já perdem um pouco essa identidade. Tem muitos profissionais que conservam, mas eu creio que se perde um pouco, até por causa das letras das músicas. O comércio degrada um pouco. Eu acho que a gente tem que falar de amor, de paz, de muitas outras coisas, mas é verdade que se perde sim um pouco a questão da luta, da periferia.


Como era a aceitação da dança de rua em relação aos outros tipos de dança e como isso se dá hoje? Há uma abertura à mistura de linguagens?


Eu creio que a maior resistência foi, na verdade, dos grupos de break, que existiam na periferia, ver que a dança de rua estava dentro da Praia do Canto e a gente indo para o Teatro Carlos Gomes. Muito mais isso, porque, nas escolas, muita gente estava dançando. Eu tive inúmeras bailarinas clássicas que dançaram comigo, frequentaram meu grupo. Eu não tive tanto problema, a não ser que falavam que eu não era dançarina de hip hop. E realmente eu não era. Era outro estilo que eu estava trabalhando, era dança de rua, que englobava vários aspectos do hip hop, e se dançava em pé.

Sobre a mistura com outras linguagens, eu acho que o espetáculo “Contemporaneidade em Dança de Rua” abriu muito esse leque. No ensaio aberto, teve debate. O menino que está no grupo de danças urbanas (UDES), Ronaldinho, esteve lá, debatemos, e outros meninos também. Depois disso, eu realmente percebi muitos ampliando a visão, pensando no que poderiam fazer com aquilo ali.


E com o carnaval, como você começou a trabalhar?


Através do esporte, eu conheci várias pessoas das comunidades que são envolvidas com escolas de samba. Eu já estava na dança e, através do basquete, me chamaram para coreografar a comissão de frente da Pega no Samba. Eu amo samba, sempre gostei, é de criação. Minha família sempre foi muito envolvida com samba, é raiz mesmo.

De vez em quando, uma escola ou outra me convidava para coreografar. Conheci o Magno Encarnação, que, quando foi para MUG, falou “Lalau estou com um problema, preciso de gente para ficar na frente da ala para segurar a coreografia, e eu não vou poder porque já vou sair na comissão de frente”. Aí fomos eu e Gislene segurar a peteca dessa ala na frente, que tinha 60 pessoas. Fomos ensaiando. Nesse meio tempo, uma ala comercial da escola não foi vendida, com fantasia pronta e tudo. Acabei pegando essa ala e, em dez dias, a gente montou a coreografia. Desde então, eu não saí mais da MUG. Faz quase dez anos que estou lá.

Depois, no outro ano, fiz ala das baianinhas e, no ano seguinte, fui para a comissão de frente. Na época, foi ótimo, levamos quatro notas dez. No meu quarto ano de escola, fui coreografar carro na MUG, e coreografo até hoje; a comissão de frente está com a Mônica Queiroz. Também comecei com o Samba Show, que é um grupo de samba para espetáculo. Não é de passistas, já que o passista não tem, por obrigatoriedade, uma coreografia. No Samba Show, o grupo dança todas as linhas do samba, inclusive aquela de samba afro do Recôncavo Baiano, misturadas com essa coisa do glamour do cabaré, do teatro de revista. Este ano, estou com muitas atividades e tive de abrir mão de fazer o MUG Samba Show.


Como é seu processo de coreografar no carnaval?


Já existe um enredo e, dentro dele, vou pesquisando e buscando movimentos. Uma vez, o tema foi cerveja na comissão de frente. Eu disse “meu Deus do céu, o que eu vou fazer com cerveja?”. A gente tem que “viajar”. O ponto de partida foi que tinha que ter relação com dança árabe porque o bulbo da cerveja vem de lá, do oriente médio. Por outro lado, eu não poderia fazer uma dança árabe, simplesmente. Ainda por cima, a gente tinha um elemento cênico que era o sol. O sol estava escrito no enredo. O número de vezes que eu coloquei o copo na minha frente para virar a cerveja e ver o movimento que fazia… Para transportar aquilo ali para os braços e para o corpo do pessoal. Aquele foi um desafio bom. Acho que ensaiamos uns três, quatro meses porque muita gente tinha técnica de dança, outros não. Quem não tinha técnica de dança, para mim, não era tanto problema. O problema era quem tinha. Porque o movimento que tinham de fazer era muito mais cru, tivemos que desconstruir o que existia. Este ano, também não foi tão simples fazer carro porque o Samba Show dançou em cima dele, teve muita pegada, muito passo aéreo em cima do carro, senão não apareceria com destaque.