domingo, 5 de junho de 2016

IV Workshop Soul Jazz

A Soul Jazz realiza mais uma edição de workshops em Vitória, e as convidadas desta edição são as paulistas Monique Paes e Erika Novachi, grandes nomes do jazz, que transmitirão seus conhecimentos a cerca desta modalidade aos participantes.

As inscrições estão abertas e as aulas acontecem nos dias 11 e 12 de junho na academia Hangar.

Para se inscrever é necessário preencher a ficha de inscrição disponível no link abaixo:
http://goo.gl/forms/I0B2xe1Ch0HPBrTz2


SERVIÇO
IV WORKSHOP SOUL JAZZ
Dia 11/06 - Monique Paes - Jazz Dance
Dia 12/06 - Erika Novachi - Lyrical Jazz  
Das 10h às 12h  e 15 às 17h
Local - Academia Hangar

Valores: R$180 (1 curso) / R$320 (2 cursos)

Informações: 27  999536888 

Quasar Cia de Dança em Vitória

Realizando uma circulação nacional com seu mais recente espetáculo "Sobre isto, meu corpo não cansa", a Quasar Cia de Dança, de Goiânia, passa por Vitória no mês de junho com apresentações para escolas e para o público em geral no Teatro Carlos Gomes ou pelo www.ingresso.com .

Considerada pela crítica uma das mais consistentes companhias de dança do Brasil, a Quasar existe há 28 anos e tem em seu currículo mais de 20 montagens e a experiência de circular por 25 países.



"Sobre isto, meu corpo não cansa" tem coreografia de Henrique Rodovalho e direção de Vera Bicalho e foi criado a partir das composições de 3 cantoras da nova geração da música brasileira, Malu Magalhães, Clarice Falcão e Tulipa Ruiz para falar com diferentes visualidades e nuances sobre o amor, o amor consciente e o amor passional. As canções servem de pano de fundo para contar diferentes histórias que se entrelaçam costurando vários cenários.

As apresentações abertas ao público acontecerão nos dias 18 e 19 de junho, e os ingressos já podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro Carlos Gomes ou pelo site www.ingresso.com.

FICHA TÉCNICA
Direção Geral: Vera Bicalho
Criação e Direção Coreográfica: Henrique Rodovalho
Direção de Ensaio: Daniel Calvet
Bailarinos: Harrison Gavlar, Jackeline Leal, João Paulo Gross, José Villaça, Lunna Gomes, Martha Cano.
Produção: Thays Benício
Produção Local e Assessoria de imprensa: Mítzi Mendonça e Rogério Dalmonch




SERVIÇO
QUASAR CIA DE DANÇA – CIRCULAÇÃO NACIONAL/2016 

Espetáculo: “Sobre isto, meu corpo não cansa”
Classificação indicativa: 6 anos

16|06 as 10h e as 15h – sessões exclusivas para escolas publicas
17|06 as 10h e as 15h – sessões exclusivas para escolas publicas
18|06 as 20h (sábado)
19|06 as 19h (domingo)

Teatro Carlos Gomes (Praça Costa Pereira, s/nº, Centro, Vitória, ES)

Valor do Ingresso: R$ 30 inteira e R$ 15,00 meia*

*Desconto de 50% para a força de trabalho da Petrobras e para clientes do Cartão Petrobras, mediante comprovação – para compra de até 02 ingressos.
Desconto de 50% para estudantes, idosos acima de 60 anos mediante comprovação.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Entrevista: Mítzi Marzzuti e trinta anos de companhia

A coreógrafa e diretora Mítzi Marzzuti fala sobre sua carreira, as propostas e os desafios de sua companhia


Mítzi Mendonça (ou Marzzuti, como assina seus trabalhos) não se sentia muito confortável nas aulas de Ballet na infância.  Ainda que fosse apaixonada pela dança e pela música, se achava pesada e grande demais para o que o Clássico lhe exigia. Foi no Jazz que se encontrou e descobriu o universo que gostaria de explorar com mais liberdade. Estudou dentro e fora do país, ampliou seus conhecimentos e fundou, ao lado de sua irmã gêmea, Ingrid Mendonça, o Conservatório de Dança, que, por 28 anos, formou bailarinos no Estado. Sempre muito ativa, a artista criou a Cia de Dança Mítzi Marzzuti, que celebra trinta anos de existência em 2016 e foi precursora da Dança Contemporânea no Espírito Santo, assim como do movimento profissional da dança em terras capixabas. Além de coreografar e dirigir a companhia, Mítzi costuma buscar o intercâmbio com coreógrafos convidados, que desenvolvem oficinas e participam de montagens com seus bailarinos. Ao longo dos anos, o grupo já recebeu diversos profissionais, como Ciro Barcellos (RJ), Victor Navarro (Espanha), Sylvio Dufrayer (RJ), Renato Vieira (RJ), Suely Machado (BH), Mário Nascimento (BH), Claudia Palma (SP), Sandro Borelli (SP), Alex Neoral (RJ), Ingrid Mendonça (ES), entre outros, e percorreu diversas cidades com apresentações em importantes eventos e festivais de dança pelo Brasil. 


Confira a entrevista!


Fotos: Carlos Antolini

DNES: Como você começou a se interessar pela dança e chegou a se profissionalizar?


Mítzi - Minha mãe é que tinha esse sonho da dança. Aquela coisa das duas filhinhas gêmeas fazendo ballet. Eu sempre fui a mais grandona, mais pesada, minha irmã era magrinha, tinha muita facilidade de subir na ponta, era a primeira bailarina de Lenira [Borges]. Era linda! Eu só comecei a me envolver com a dança depois, quando chegou aqui em Vitória a Denize Marques com o jazz, e foi a Denize que me deu oportunidade de iniciar minha carreira como professora de dança e me fez escolher a dança como profissão. Tive também muita sorte em ter uma mãe e um pai que sempre apostaram e investiram muito nessa questão artística. Minha vida foi toda voltada para a dança, a tal ponto que me inspirou num espetáculo sobre a nossa vida, “Catarse”, que fala sobre quem foi mamãe, por que nós somos assim tão apaixonadas por essa arte da dança. Mamãe dava aula de dança de salão, foi pioneira aqui no Estado, meus tios tinham discotecas no porão das casas deles, sabiam tudo de óperas e teatro, filmes de Hollywood, então, eu vivi nessa família voltada para a arte. Eu e Ingrid estudamos música, instrumentos, violão, violino, eu estudei 12 anos de piano, mamãe nos colocava para fazer tudo quanto era tipo de arte, pintura e todo tipo de dança, afro, dança moderna, jazz, ballet etc (contemporâneo, na época, não tinha). Nossas férias eram para fazer curso e dançar.

Me descobri mais no jazz do que no clássico, porque o clássico precisa de um biotipo que não é o meu, minha estrutura não era para clássico, então eu sofria muito, eu era muito pesada, meus pés ficavam muito machucados, eu quase morria de dor, e não tinha homem para dançar comigo, eles me odiavam! (risos). Tenho a mim como exemplo para as pessoas que se sentem fora do padrão físico e sou feliz por não ter desistido da dança. Entendi que minha “onda” na época era jazz. Fui solista da Denize Marques, que acreditou muito em mim, eu tinha entre 17 e 18 anos. Foi aí que comecei a investir no jazz, fui para o Rio, fiz curso com a Marly Tavares e o Lennie Dale, que, na época, eram os “ban ban bans” da dança aqui no Brasil, e a gente viajava muito, íamos sempre para os Estados Unidos, Holanda, Londres, sempre estudando dança. 

Fiz faculdade de Educação Física na UFES, mas, quando cheguei no último período, apareceu a oportunidade de ir para Amsterdã, eu larguei a universidade e fui e não quis concluir o curso. Casei, morei dois anos na Itália. Quando voltei para o Brasil, já pensava em fundar a minha companhia. Mas, antes disso tudo, em 1979, meus pais abriram uma escola para mim e minha irmã, se chamava Conservatório de Dança, e nós ficamos 28 anos com a escola. Juntas, fundamos o primeiro grupo de dança, porque, naquela época, só havia grupo de escolas, das alunas adiantadas, mas eram todas amadoras, eles não ofereciam uma oportunidade de os bailarinos serem tratados como profissionais. Então, o primeiro grupo que surgiu foi o Grupo Somas, fundado por mim e minha irmã com as alunas mais adiantadas da nossa escola. Toda vez que dançavam, a gente pagava um cachê, e começou essa coisa de buscar o reconhecimento e tratar os bailarinos como profissionais. Depois, Ingrid ficou com a companhia dela e eu fiquei com a minha, até hoje!

Desde o início, eu investi muito na diversidade, nunca gostei de ser a única coreógrafa na companhia. Sempre acreditei que, quanto mais informação a companhia recebesse, mais eles teriam facilidade de entendimento, mais aberturas, e, atualmente, estamos fazendo 30 anos de companhia. Fizemos mais de 38 espetáculos, sendo que mais de 25 foram de coreógrafos convidados, então, a gente tem uma diversidade muito grande no repertório que é muito legal. Quem chega para trabalhar com meus bailarinos sente essa capacidade de assimilar vertentes distintas.


Como foi sendo construída a pesquisa da companhia?


A pesquisa foi sempre com base na diversidade, eu convidando coreógrafos e professores com quem me identificava, e fomos construindo um discurso que não era, por nada, único nem hermético. Sempre gostei de receber coisas novas e acreditar numa busca sem almejar chegar a algum lugar. Mas nunca parar de buscar. Isso nunca! Tenho muita curiosidade em entender o momento de cada coreógrafo, as formas de criar e de onde surgem a ideia e o movimento. Com esse meu estudo, atualmente, dou oficina de pesquisa do movimento. Acabei de chegar de uma circulação nacional com a companhia e ministrei essa oficina em todas as cidades por que passamos, e foi um sucesso! Eu adoro dar essa oficina, é muito interessante o que se consegue das pessoas, e elas ficam muito felizes e entendendo melhor essa dança, que tem início na cabeça e, depois, se conecta com o coração para, então, utilizar o corpo. Acredito que sempre há coisas novas para aprender e que existem muitas pessoas fazendo coisas boas para a gente ver.



É parte da história do grupo convidar coreógrafos. Como você elege e faz contato com essas pessoas?


Eu estou sempre investindo em conhecimento, vendo espetáculos. Quando viajo, estou sempre dentro de teatro. Nessas, eu me encanto por alguns coreógrafos. Procuro saber quem é e entro em contato, chamo para vir, vejo se tem possibilidade e é assim que eu entro em contato com eles.

Foi assim com Mário Nascimento, Suely Machado, Renato Vieira e com todos os que foram convidados. Tenho afinidade com todos! Por último, com o Alex Neoral, eu vi o espetáculo dele com uma companhia dos Estados Unidos na internet e fiquei feliz quando soube que ele era do Brasil, do Rio de Janeiro, e aí eu entrei em contato na hora. Já é a segunda vez que ele vem, montou dois espetáculos para a companhia. Já o Mário Nascimento me fez amar a dança contemporânea e eu já o trouxe sete vezes para coreografar. Agora, ele é meu convidado para o espetáculo que vai comemorar os trinta anos da companhia. O nome do espetáculo é “PRABHUJEE” e estamos em fase de montagem, amando tudo!


E como é, geralmente, o processo de criação entre o convidado e o grupo?


Cada coreógrafo tem uma forma, que eu costumo respeitar sempre. Não os obrigo a nada, estamos sempre prontos a nos colocar à disposição por inteiro, eu e meus lindos bailarinos. Porém, com todos, eu tento primeiro uma oficina, assim, dou oportunidade de se conhecerem. Daí, se inicia a estrutura, qual é a ideia da pesquisa que vai ser desenvolvida. Uns nos deixam no processo de “estudem” e, depois, trabalha-se com o que realmente o coreógrafo quer e, assim, ele começa a introduzir sua pesquisa. Nessa soma, vamos criando movimentos e nos aprofundando nos conceitos e ideias.

Outros não trabalham assim, porém, todos são grandes coreógrafos e abrem espaços para a criação dos bailarinos, se colocam no lugar de diretor cênico e coreográfico. Por exemplo, o Mário tem um corpo que é preciso mergulhar nesse corpo para conseguir entender o movimento dele. Porque Mario tem a dança dele. Não tem técnica de outra linguagem envolvida, é a dança do Mário. Ele é genial, bem louco, rápido e inusitado. Já o Alex tem outra forma, que também é linda e interessante e, na maioria das vezes, poética.

O Sandro Borelli também é muito incrível. Nossa primeira experiência foi louca demais. Depois de estarmos com a estrutura toda elaborada em pé, ele falou “agora deita no chão”, então os bailarinos ficaram de barriga pra baixo buscando fazer, deitados, a movimentação construída em pé e, então, encontrar saídas muito interessantes.

A Claudia Palma também é demais! Nos trouxe a questão da instabilidade, desse corpo nosso no mundo contemporâneo que se aproxima da queda, então, o tempo inteiro, seu corpo tinha que estar perto do chão, mas você não podia cair. Muito difícil para quem executa, e lindo demais!

Não posso deixar de falar da Ingrid, minha irmã, que já assinou algumas coreografias para a companhia, e que sempre leva sua pesquisa de máscaras e literatura, rica e consistente, para os bailarinos, que a admiram muito.

São grandes coreógrafos! Renato Vieira, genial! Concepções cênicas incríveis. O aprendizado sempre é muito rico! Atualmente, todos os coreógrafos que eu chamo comentam sobre essa aceitação e abertura de meus bailarinos. Não temos preconceitos nem bloqueios, somos artistas em prol do que se propõe, mas nada é gratuito, pois não gostamos da vulgaridade. Somos artistas!


E você, Mítzi, como coreógrafa e diretora, quais são seus caminhos?


Preciso saber “por que fazer o que tenho que fazer” para começar a minha pesquisa. Temos uma afinidade muito grande na companhia. Eu tenho vários problemas de coluna, hérnia na cervical, hérnia na lombar, tenho problema no joelho, meu corpo é superlimitado. Eu faço coreografia sem fazer quase nenhum movimento, eu consigo me comunicar com eles. Adquiri isso com o passar do tempo e também por ficar nessa de muitas aulas para sobrevivência, não me aquecia, tinha o trabalho da companhia e tudo sem preparar o corpo, e fui me machucando, e, atualmente, eu consigo fazer muito pouco com o meu corpo.


Você acaba desenvolvendo outras habilidades de dialogar, de se expressar...


Várias. E as pessoas que me veem nessa situação não perdem a esperança de dançar, porque pensam “se ela está nessa situação e consegue se comunicar, consegue resultados bons, eu também posso conseguir, por que não?”. Eu acho que isso é uma esperança que eu levo para as pessoas de que, para dançar, você não tem que ser nem o sequinho, ou magrinho. E a dança não tem só o bailarino, tem o coreógrafo, tem o mestre, professor, roteirista, iluminador, tem tanta opção necessária dentro da dança!

As pessoas, aqui em Vitória, trabalham muito na formação de bailarino, mas você não trabalha a pesquisa criativa, como começa, como termina, o que quer falar, para quê? Traz para mim o que você quer que a gente vai desenvolver. Acho essencial dar alimento para as respostas corporais e me delicio quando elas são totalmente diferentes, muitas vezes, eu gosto mais dos que não têm a escola de dança encruada porque são mais livres.


Em trinta anos, muitos bailarinos já passaram pela companhia?


Muitos... nossa! Todos eu amei. Saíram, abriram escolas, muitos abriram companhia e desistiram porque assumir uma companhia aqui nesse Estado é coisa de gente doida. Tem que ter um amor acima da necessidade financeira, ser muito apaixonado pelo que faz e muito corajoso. É o que eu falo nas minhas audições. Muita gente já foi fazer audição interessada na companhia e não ficou porque meu discurso é esse. Eu não tenho nada para dar para vocês a não ser o que eu sei. Financeiramente, eu nunca tive um patrocínio, eu não posso dar salários, não posso prometer nada a vocês a não ser que eu corro atrás, minha vida inteira, para viajar, fazer apresentações, trazer gente de fora, fazer intercâmbio, investir nisso, dar figurino, transporte, alimentação, essas coisas eu garanto, agora, salário, não, porque tem mês que não acontece nada. Tem ano, como este, do jeito que o Brasil está, que eu fiz doze projetos e só um foi contemplado, então, quer dizer, é triste para uma companhia de trinta anos isso o que está acontecendo. Vamos montar um espetáculo, vou vender carro, vou fazer qualquer coisa, mas eu vou montar. Eu sou doida nesse nível. Eu faço qualquer coisa. Já vendi casa, telefone, televisão, um monte de coisas por causa da dança. Já perdi muita coisa material por causa da dança, mas eu não acho que perdi, ao contrário, eu só ganhei. E se eu sou quem eu sou é graças a tudo o que fiz, ao meu desapego e ao amor pela dança.


A companhia tem uma sede?


Não tenho sede. A gente trabalha na Monique Vieira Estação de Dança. A Monique é uma pessoa que tem a sensibilidade da importância do trabalho que eu faço profissionalmente pelos bailarinos, e, assim, ela cede a sala sem querer nada em troca. Acho que, dentro do Espírito Santo, são poucas pessoas que têm essa cabeça. A companhia já trabalhou muito tempo também no Espaço da Dança, em Itapoã, que também cedeu a escola pra gente por muitos anos.


Sobre a ocupação de espaços fora os espaços cênicos – partindo do espetáculo “Pérolas Dispersas”, que vocês fizeram no museu da Vale –, queria que você falasse um pouco da relação com o espaço na construção dos espetáculos de dança, qual é sua visão e se existe perspectivas de novas experimentações em outros espaços?


Aconteceu quando eu fui à Vale para fazer uma produção fotográfica com uma bailarina junto ao meu marido, ele é fotógrafo. Quando eu cheguei e vi aquela locomotiva parada pensei “imagina um espetáculo aqui dentro dessa locomotiva...”, e escrevi o projeto, pensando em desenvolvê-lo. Ele foi contemplado. Na época, o Alex Neoral estava em contato comigo e veio para desenvolver essa minha ideia. Ficou lindo! A Vale abraçou as apresentações e todo mundo que viu o espetáculo ficou encantado. Só que eu fiquei limitada ao espaço, porque acontecia todo dentro de uma locomotiva, o espetáculo foi todo montado para aquele lugar. Não é um espetáculo para rua, que eu posso levar para praça, para outro lugar, não, é para uma locomotiva. Onde é que tem uma locomotiva parada? Então é um espetáculo que ficou esse tempo todo parado na esperança de aparecer outra oportunidade de apresentá-lo. Mas é um espetáculo tão lindo que eu resolvi fazer uma adaptação dele para o palco e o apresentamos este mês, no Aldeia SESC, e vamos apresentá-lo no Cena Local em julho. Graças a Deus eu tive coragem, pois eu estava arrasada em pensar que nunca mais iríamos dançá-lo.


Mas foi a primeira vez que vocês experimentaram fora de um espaço cênico?


Não. A Suely Machado esteve aqui em Vitória e montou “Jogos do Cotidiano”, que também é lindo e sensível, feito para parques e praças. Dançamos pouco porque, infelizmente, existe pouca oportunidade de circulação e, então, a companhia fica sempre nesse processo de montagem, montagem, montagem... Todo ano a gente monta espetáculo, mas quase não circula, não dá tempo e seria importante levar esses espetáculos Brasil a fora, pois são lindos!


Fale um pouco sobre os projetos e as ações para a comemoração dos trinta anos.


Já estamos comemorando! Fizemos uma circulação nacional, passamos por oito cidades com “Descortinando”, coreografado por Ingrid Mendonça e dirigido por mim. Participamos do Aldeia SESC e vamos participar do Cena Local. Depois, em outubro, vamos estrear o “PRABHUJEE”, assinado por Mário Nascimento. A intenção é apresentar, durante este ano, espetáculos que a companhia possui, para fazer tipo uma cortina de vertentes, já que cada coreógrafo traz uma coisa, para mostrar a diversidade que existe dentro da companhia, então levaremos essa diversidade para todos os palcos que passarmos este ano.

Estou também com uma proposta de fazer "Companhia de Dança Mítzi Marzzuti Convida", que é um projeto da companhia com todas as escolas de dança do Espírito Santo. As escolas levam os espetáculos que concorrem a prêmios nesses concursos, que são os mais bonitos, que eles montam em festivais, para se apresentar no mesmo dia em que a companhia se apresenta. É um trabalho também de formação de público aqui, em Vitória, porque as pessoas que dançam em escolas muitas vezes só veem espetáculos delas, as mães, os pais assistem às filhas, mas não sabem o que as outras escolas fazem nem quem tem companhia aqui em Vitória.


Qual é sua percepção da dança, depois de tantos anos de experiência?


Existe uma frase “quem dança é mais feliz”. Tem gente que acredita nisso por causa do espírito de felicidade que é despertado pelo fato de você poder viver dessa arte, isso dá uma felicidade. Mas não quer dizer que dança é felicidade. Dança não é felicidade, dança é compromisso, é árduo, é doloroso, é igual a ser mãe. Ser mãe não é essa leveza toda que as pessoas dizem, ser mãe é você perder noite, é dar seu peito, é você não ter tempo para você mesmo, é um monte de coisa, mas é a coisa mais linda do mundo. Dançar é muito parecido com ser mãe. Você fica a vida inteira criando, tentando construir, fazer daquilo um ser bonito, fazer coisas belas. Dá alegria, mas, muitas vezes, não é fácil.


O que falta ao cenário da dança local?


Eu acho que sempre foi tão pouco o que acontece em Vitória, o que circula dentro da cidade, como apoio de dança. Falta mesmo comprometimento não só do Estado (porque eu acho que a grana não tem que partir só dalí), mas me incomoda saber que, em trinta anos, não existiu, na história da dança do Espírito Santo, o apoio de uma empresa particular sem que seja através de leis de incentivo.

Então, dentro do Estado, tem pouco apoio para que a dança aconteça, e fica todo mundo em torno de um prêmio. E, quando uma pessoa recebe, fica aquela coisa... “de novo ela?”. Se tivesse mais verba, com certeza, o número de contemplados seria maior e não teria esse questionamento. Então quem é contemplado não é culpado, e sim a quantidade de verba que se tem para a cultura.





Acompanhe as atividades da Cia de Dança Mítzi Marzzuti em sua página.














terça-feira, 17 de maio de 2016

Marcos Vinicius: A Presença do Mundo em Mim

A GAEU - Galeria Espaço Universitário da Ufes lança amanhã, 18 de maio, às 16 horas, o livro Marcos Vinicius: A Presença do Mundo em Mim.

O livro reúne textos inéditos que abordam o uso do corpo como plataforma para as intervenções e performances realizadas pelo artista Marcus Vinícius, além de material fotográfico e teórico que tratam sobre a carreira do artista capixaba, que teve seu acervo doado à GAEU após sua precoce morte em 2012.



Workshop Corpo Afro

O MUCANE - Museu Capixaba do Negro, recebe o workshop Corpo Afro, idealizado pelo artista Maicom Souza em parceria com o bailarino Jordan Fernandes, com a atriz e cantora Elaine Vieira e com o coletivo Emaranhado.

Corpo Afro é um trabalho que propõe uma interação cultural,visando contribuir na multiplicação do saber sobre a corporeidade negra na dança. O workshop será composto de oficinas de danças afro brasileiras, de jongo e de elaboração de projetos culturais, e serão compostas três turmas com 20 vagas cada.

Os interessados devem entrar em contato pelo email coletivoemaranhado@gmail.com

1ª turma: Dia  27/05 das 13h às 19h e dia 28/05 das 09hs às 13h

2ª turma: Dia 10/06 das 18h às 22h e dia 11/06 das 09h às 17h

3ª turma: Dia 24/06 das 18h às 22h e dia 25/06 das 09h às 17h




sexta-feira, 13 de maio de 2016

3º Dança na Roda

Encontro de linguagens em bate-papo com Rubiane Maia e Carla van den Bergen encerra o Dança na Roda




Com público diversificado, o terceiro e último Dança na Roda aconteceu na tarde de sábado (7/05) e já deixa saudades, ao menos por enquanto! No encontro, as artistas convidadas Carla van den Bergen, do Grupo Z de Teatro, e Rubiane Maia falaram sobre seus trabalhos, suas experiências artísticas, como dialogam com a dança, cada qual a seu modo, e sobre como se colocam politicamente através de seus projetos.

Rubiane Maia contou sobre sua formação em Artes Visuais e sua incursão pelo universo da performance. “A performance sempre me atraiu durante a graduação porque ela não pertence a lugar nenhum e, dentro de outros segmentos, como a dança e o teatro, é aquilo que nem sempre as pessoas conseguem explicar direito o que é. Essa incógnita é um material rico para eu pensar minhas relações com o outro, com o espaço, o tempo, o que compõe meu cotidiano”, explica.

A artista, que começou seu trabalho com intervenções urbanas, seguiu, ao longo dos anos, investigando a si mesma, suas relações com o mundo em diversas perfomances solo, por vezes, cruzando experiências também com instalações, vídeo e fotografia, passando por diversas cidades dentro e fora do Brasil. “De certa maneira, minhas performances começam com uma ideia de auto-sabotagem. De que maneira eu poderia me desarticular numa situação que fosse completamente diferente desse cotidiano que anestesia muito a gente e, ao mesmo tempo, usar elementos que fizessem parte desse cotidiano, da minha história, como elementos presentes e simbólicos para construir a ação, imagem e linguagem”, diz. Formou-se mestre em Psicologia Institucional, e, na cidade de São Paulo, participou, no ano passado, da exposição “Terra Comunal – Marina Abramovic + MAI” com a performance “O Jardim”, na qual cultivou sementes, por dois meses, oito horas por dia, até que se transformassem em plantas.

Rubiane também experimentou seus limites em performances anteriores, a exemplo de uma em que tinha de se movimentar sobre o vidro de um vaso quebrado sem se machucar, enquanto comia rosas, e de outra em que tomava uma dose específica de medicamento de tarja preta a cada meia hora, até chegar a um estado de letargia e memória alterada, completamente diferente do de um corpo sem o ansiolítico. “Essas duas performances criaram um estado corporal, para mim, muito surpreendente. Me levaram a outros trabalhos depois que estão reverberando de maneira cada vez mais profunda, me fazendo pensar conexões entre corpo e tudo ao redor”, aponta a artista.

“O Jardim”, sem dúvida, foi um marco para a artista neste encontro com a dança, em um sentido amplo de movimentação, levando-a ao atual projeto intitulado “Preparação para exercício aéreo”. Ela conta que, quando estava acompanhando o crescimento das plantas (feijões), passou a observar o micro movimento delas, como elas iam se apoiando nas outras, saindo do solo e ganhando o espaço aéreo, quase como em uma coreografia. “Esse exercício de olhar passou a ser também para o meu corpo. É um devir vegetal, que é um tempo completamente diferente do nosso. A planta fazia um micro movimento e eu tentava encontrá-lo no meu corpo e permanecer. Comecei a trabalhar com foco no micro movimento, no espaço aéreo e na inação, de que maneira isso me provocava para um estado de performance-dança, que era dança das plantas”, diz a artista, que também produziu uma série de cadernos cheio de desenhos abstratos sobre essa experiência.

Em “Preparação para exercício aéreo”, que já está em andamento, Rubiane trata da relação do ser humano com o desejo de voar, tanto a partir da figura do animal-pássaro, quanto por meio de máquinas. Em seus estudos, uma frase do filósofo Nietzsche a inspirou: “Quem deseja aprender a voar, deve primeiro aprender a caminhar, a correr, a escalar e a dançar. Não se aprende a voar voando”. A base do projeto, então, passou a ser ir para lugares de elevada altitude, que remetessem ao voo, onde ela buscaria se relacionar com esses espaços e registrar essas experimentações em vídeo.

Desse modo, na primeira etapa do trabalho, a artista fez uma experiência de 29 dias no deserto da Bolívia, deixando se contaminar pelas interferências do ambiente, como o clima, a altitude e a própria paisagem. Nas próximas etapas, Rubiane subirá o Pico da Bandeira e o Monte Roraima, no Brasil. “São dois projetos: preparação para exercício aéreo no deserto e preparação para exercício aéreo na montanha, que estou prestes a executar”, conta.


O corpo na criação compartilhada


Enquanto Rubiane Maia parte, muitas vezes, de um trabalho individual – ainda que seja permeado por sua relação com o outro e com o meio em que se insere –, Carla van den Bergen costuma desenvolver suas criações de forma compartilhada. “Meu processo sempre tem a ver com o diálogo e parece começar sempre com o que gostaríamos de dizer. Esses desejos vão aparecendo até mesmo em conversas entre nós, no nosso desenvolvimento pessoal e coletivo. A partir disso, vem a escolha da linguagem, de como queremos dizer isso que queremos dizer”, aponta Carla, que é bailarina e pertence ao Grupo Z de Teatro, com trabalhos como intérprete, diretora, coreógrafa e de concepção de luz.

O grupo costuma discutir e experimentar propostas que, muitas vezes, surgem dos diretores, Carla van den Bergen e Fernando Marques, mas o trabalho nunca é unidirecional. Ao contrário, como explica Carla, o material que surge em sala é experimentado, volta à direção, retorna aos intérpretes e vai sendo construído nesse fluxo criativo constante e compartilhado.

A artista destaca que o trabalho corporal é muito presente no grupo (que utiliza a classificação de dança-teatro mais por uma necessidade de comunicar aos outros sobre o que fazem) e aposta na diferenciação e particularidade dos corpos para criar. “Não me interessa o que uniformiza os corpos, mas sim o que os diferencia, a expressão artística de cada um deles. Nós podemos executar o mesmo movimento no espaço sem que sejamos iguais”, diz.

Em seu processo de criação, Carla conta que costuma observar quais são as sensações que lhe causa o movimento do outro e experimentar e entender em seu próprio corpo tais movimentos e sensações propostos. Assim, vai compondo o que seria equivalente a cada palavra, colocada antes ou depois de outra, construindo frases de movimento, parágrafos, capítulos, até chegar à obra. “O movimento tem um sentido, que, às vezes, não dá para explicar em palavras, mas que se constrói”, aponta.

A intenção do movimento é primordial para a artista: “Esse desenho no espaço não me preenche se não conseguir dizer algo com isso”. Segundo Carla, tensões, relaxamento, relação com a gravidade e todas as outras possibilidades fazem sentido quando dizem algo, ainda que o caminho para a construção do sentido seja de mão-dupla. “Posso dizer ‘procurem uma qualidade de leveza’, por exemplo, mas, às vezes, posso chegar à leveza por conta do que quero dizer. Os dois caminhos, para mim, são interessantes”, afirma.

Carla aponta que as influências que incidem sobre a movimentação podem se dar a partir de diversas vias, como uma imagem ou uma palavra. Ela explica que as possibilidades são infinitas em termos de criação, mas o que parece se repetir em seu processo criativo é realmente “o olhar sobre o corpo do outro, o diálogo com a criação do outro, as relações com outras formas artísticas, e o impulso que vem do meu corpo”.

Assim como aconteceu no processo do espetáculo “Insone”, Carla diz que, ainda quando parte dela alguma proposição de movimento para o grupo, costuma conduzir experimentações a partir de um desejo corporal, uma intenção, que ganhará a roupagem particular de quem executa. “É como se eu estivesse em cena e dissesse ‘gente, experimenta isso’, e a gente vai construindo junto”.


Dança das linguagens


Conectar seu trabalho à dança ou ao corpo não parecia ser algo óbvio para Rubiane quando iniciou suas pesquisas em performance. A artista conta que suas experiências anteriores com dança, em seu sentido mais formal, foram poucas e de “inadequação”. “O corpo, para mim, sempre foi um lugar muito estranho. A performance, para mim, tinha mais a ver com algo terapêutico, mas é inegável que ela provoca o autoconhecimento do corpo. Também a precariedade de elementos em uma performance faz restar o corpo”, avalia.

Em todo caso, não se preocupa tanto com definições daquilo que faz. Dar nome, também para ela, surge mais como uma necessidade de comunicação, até porque, na prática, seu trabalho passeia e se deixa influenciar por diferentes linguagens, como o vídeo, a fotografia, a literatura e o cinema: “vou buscando deixar essas coisas virem, refinar os conceitos que me interessam, tentar buscar essas imagens internas, de que formas elas surgem, e vou juntando essa bagagem”.

Além disso, Rubiane falou sobre o registro e a documentação da perfomance contemporânea e em como a intervenção de um fotógrafo e as imagens que são produzidas, por exemplo, podem comprometer totalmente o sentido de seu trabalho. “Eu me sentia muito agredida por algumas imagens, então, eu passei de um estágio de não saber que isso acontecia para, de repente, conversar com quem vai fazer isso e, depois, comecei a pensar em que imagem eu queria, e foi quando eu comecei a pensar que eu mesma podia produzir a imagem, além da ação”, diz. A artista destaca que o uso do vídeo em seu trabalho surge também nesse contexto contemporâneo de saturação da imagem. “A gente tem que pensar muito em documentação, em questões éticas, e ética é muito pouco discutida no meio artístico”, acrescenta.


Enraizar para voar: a gravidade em “Insone”


Carla van den Bergen também falou sobre a oficina “Do chão ao voo, da palavra ao corpo”, que aborda o processo de preparação do Grupo Z para o espetáculo “Insone” e que deverá ser ministrada em Vitória no segundo semestre. A artista conta que o trabalho, compartilhado na oficina, está muito relacionado à influência da gravidade sobre o corpo, quando ele resiste, quando ele se entrega.

Nesse processo, a escolha de um colchão como espaço cênico interferiu totalmente na movimentação dos intérpretes, redirecionando a criação. “Há uma série de saltos, mas não é só um estudo de planos, é como a gente se relaciona com a gravidade. Só entendendo o enraizamento, eu posso entender o salto. É o entendimento de que, sem o chão, a gente não voa”, frisa Carla, concordando com Rubiane quando ressalta o mesmo em sua pesquisa em “Preparação para exercício aéreo”.


A arte como posicionamento político


As convidadas também falaram sobre seus ofícios dentro do atual cenário político e como utilizam a arte para se colocarem politicamente. “Eu acredito muito na ideia de micropolítica, de disseminação e contágio, que começa a partir de momentos como este aqui, em que a gente consegue compartilhar as nossas descobertas e inquietações, e que a gente precisa fortalecer”, aponta Rubiane, que também pensa que palavras como permanência e sobrevivência sejam importantes para quem faz arte.

Carla reforça que o trabalho do artista é de formiguinha, que, devagar, pode ir contaminando o público, e que o entendimento de que o outro não é igual a você, de que um corpo é diferente do outro, de que cada pessoa é única, é um bom começo para o respeito à diferença, tão necessário para dias melhores. “Isso já acontece com o nosso processo interno e, se for levado para outras camadas, o resultado seria bom, mas é um trabalho micro. Ao mesmo tempo, é importante o que a gente diz em nosso trabalho, a fala do respeito a cada um, assim como as questões de gênero, mulher, indígena, dos que estão à margem, entre outros temas”, diz.





Rubiane Maia fará uma mostra em vídeo do processo atual, “Preparação para exercício aéreo”, seguida de bate-papo, no dia 30 de maio, no Cemuni V (Ufes), em parceria com o BAILE, às 18h. Na sequência, nos dias 31 e 1º de junho, ministrará uma oficina de performance, das 14h às 18h. Os interessados na oficina deverão enviar para o e-mail rubiane.art@gmail.com um currículo resumido e dizer por que têm interesse em participar.


O Dança na Roda foi um evento gratuito, promovido pelo Portal Dança no ES, que reuniu público e artistas locais para compartilharem suas experiências criativas. As rodas aconteceram no foyer do Teatro Carlos Gomes e estiveram abertas a todos interessados pelo tema.
O Portal Dança no ES é um projeto contemplado pelo edital Setorial de Artes Cênicas/Dança 2015 da Secult ES / Funcultura. 



Oficina + Mostra de processo com Rubiane Maia

A artista Rubiane Maia convida para a mostra de processo da pesquisa Preparação para Exercício Aéreo no dia 30 de maio, que acontecerá no Cemuni 5, Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo. Na ocasião Rubiane mostrará os vídeos que vem desenvolvendo ao longo do processo e seguirá com um bate-papo sobre os trabalhos.

Nos dias 31 de maio e 1º de junho a artista promoverá uma oficina de performance, também na UFES, aberta aos interessados que deverão se inscrever enviando uma mini bio e carta de interesse para rubianemaia.art@gmail.com



SERVIÇO
Mostra de Processo - Preparação para Exercício Aéreo, de Rubiane Maia 
Convidado: Manuel Vason (IT/UK)

30 de maio, às 18h - Mostra de vídeos
30 de maio às 20h - Bate papo
Local: Sala 1A, Cemuni 5, UFES, Vitória, ES.

31 de maio e 1º de junho, de 14h às 18h - Oficina de performance
Local: CEPEC, Cemuni 1, UFES, Vitória, ES.
Inscrições pelo email rubianemaia.art@gmail.com