terça-feira, 12 de outubro de 2021

JEREMIAS SCHAYDEGGER FALA SOBRE SUA CARREIRA E INCLUSÃO ATRAVÉS DA DANÇA EM CACHOEIRO DO ITAPEMIRIM

 

Encantado pelo circo e com natural desenvoltura para a dança desde criança, Jeremias Schaydegger veio de uma família grande, com 13 irmãos, que, embora não tivesse proximidade com a arte, nunca o impediu de dançar. Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, escolheu sua cidade natal como lugar para desenvolver sua carreira como bailarino, professor e coreógrafo. Mesmo com todas as dificuldades de quem tenta viver da dança com poucos recursos e estando deslocado de uma capital, Jeremias buscou conhecimento além de suas fronteiras geográficas, tendo, inclusive, integrado a Cia. de Dança Mitzi Marzzuti, em Vitória, e estudado na Escuela Nacional de Havana, em Cuba. Entre seus maiores aprendizados, contudo, talvez esteja a arte de sorrir cada vez que o mundo diz “não”, como canta Maria Bethânia, por quem se diz apaixonado. A superação dos nãos e das limitações através da dança acabou por se tornar uma de suas bandeiras, levando-o a fundar inúmeros projetos sociais e de inclusão de pessoas com deficiência. Além disso, Jeremias é fundador do Núcleo Cachoeirense de Dança. Confira abaixo a entrevista que o artista concedeu ao Portal Dança no ES!

 



P: Como foi o começo da sua trajetória na dança?

 

Desde pequenininho eu já gostava de dançar, e com certeza eu tive contato com dança em uma outra vida, carrego desde pequeno essa característica. Eu sempre morei em Cachoeiro. Nunca nós tivemos aqui aulas de dança. Eu soube, depois de muitos anos, que lá pelos anos 60, dona Lenira Borges fez um trabalho aqui, mas acho que eu era pequeno demais ainda, não cheguei a saber. Então o Sul ficou meio isolado.

Na realidade, a dança começou a andar mesmo de uns 10, 15 anos para cá, porque até então eram grupos que faziam a história, como a companhia de Mitzi Marzzuti, com a qual eu dancei por muitos anos; eu participei da primeira formação dela. Mas naquela época e até hoje eu acho que é muito difícil caminhar e batalhar com a dança.

Minha primeira apresentação foi aos 6 anos de idade, quando uma professora de educação física da escola me convidou para fazer parte de um teatro musical da Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau. Eu acabei virando o caçador, não sei como, e aquela coisa de pisar no palco, de cantar, de atuar, mesmo sendo uma coisa muito simples, me encantou. Depois dali, elas começaram a me inserir em atividades de ginástica olímpica e viram que eu tinha muito jeito, e comecei a dançar depois no festival de dança que tinha todo ano na cidade, no festival de folclore que também tinha e era parte do calendário festivo da cidade. E a gente começou a fazer coreografias e a dançar na época dessa escola.

Em 79, a Denise Prates chegou aqui em Cachoeiro como a primeira pessoa com academia de dança, eu fui fazer aula, fiquei 5 anos com ela, depois eu comecei a fazer curso fora e a minha seta virou.

 

P: Foi nesse momento que você compreendeu que seria essa a sua carreira?

 

Sim, até então eu tinha tentado fazer faculdade de arquitetura, mas fiquei reprovado no vestibular. Mas quando fiz vestibular, eu já dançava como iniciante. Como não deu certo na prova, pensei em pegar firme na dança; eu percebi que aula de dança eu tinha como algo sagrado, porque eu não faltava, podia estar com febre, doente... eu ia à aula! Então eu percebi, nesse momento, que era uma coisa que eu gostava muito de fazer, além de já ter nascido com um monte de coisas no meu corpo mesmo, eu já tinha uma meia ponta alta, bonita, parecia que eu já fazia aula de dança há muito tempo. Várias pessoas que me chamavam para dançar achavam que eu já tinha muita experiência.

Em 1986, eu fui fazer o primeiro curso fora, em Belo Horizonte, com o Grupo Corpo. Quando eu cheguei lá, eu senti que faltava muita coisa para mim, porque eu não tinha um trabalho técnico desenvolvido, eu não conhecia a técnica da dança, não conhecia a nomenclatura de quase nada. Aí eu cheguei naquele curso e percebi que eu não estava, nem de longe, perto deles. Quando eu digo que a seta virou, foi no sentido de ir buscar o que tivesse semelhança com o que eu fiz lá. Então eu já fui fazer um ano de Jazz com a Ruthinha Melo, que era uma outra professora daqui na época.

No ano seguinte, chegou uma amiga minha lá na academia onde eu comecei a dar aula. A Fafá tinha chegado da África, onde tinha morado 4 anos. E ela quis montar um grupo de dança afro-moçambicana. Ela chegou com um monte de coisas diferentes, com uma técnica de dança diferente, tudo me encantava muito. Eu não tinha um gosto definido para a dança. Tudo o que eu via e achava que era consistente para mim, eu entrava e embarcava junto. Montamos um grupo de dança afro chamado “Un, Deux, Trois”. Mas, de pessoas negras, havia umas três só. A gente montou um espetáculo chamado “Mãozinha no Tamborim” e ficou dançando essa coreografia; para onde nos convidavam, íamos apresentar para mostrar como era o trabalho para o pessoal que não conhecia.

Eu, na época, trabalhava na Secretaria de Cultura aqui em Cachoeiro, na Prefeitura, e em 87 o secretário pediu que eu organizasse uma mostra de dança aqui, aí convidei grupos de Vitória da época, e o grupo de dança afro também foi dançar “Mãozinha no Tamborim” nessa mostra; aí a Mitzi viu e me convidou para participar da companhia dela, que estava começando. Um bailarino não tinha disponibilidade para viajar e teve que sair, e eu entrei no lugar dele, na primeira formação da companhia. Fiquei com a Mitzi uns oito ou nove anos. Eu acho ela maravilhosa como mentora, de uma cabeça incrível e uma sensibilidade maior ainda.

 

P: Nesse período você teve que vir para Vitória?

 

Sim, mas eu ia três vezes por semana. No final de semana, quando tinha viagem, eu ia sexta, já ficava direto e voltava depois. Uma loucura, mas eu tinha certeza de que era aquilo que eu queria. Eu fiquei um ano e meio morando em Vitória e não tinha grana para vir aqui em Cachoeiro ver minha mãe. Eu chorava até dormir. Foi muito perrengue, que eu acho que qualquer pessoa já teria desistido.

Eu fiquei com a Mitzi esse tempo e comecei a dar aula lá também. E aí eu tive que sair da companhia porque a vida vai te cobrando, vão chegando outras responsabilidades, eu comecei a dar mais aulas, assumi aula no dia em que eu ia para Vitória, aí já ficou mais difícil de eu ir. E acabei ficando meio ilhado aqui em Cachoeiro, porque tudo acontece mais em Vitória mesmo. Mas sempre que eu tenho uma oportunidade estou fazendo e buscando alguma coisa, porque, principalmente na arte, as coisas mudam muito, é uma evolução constante, o novo está vindo e a gente não pode ficar longe dele.

 

P: E você acabou indo a Cuba, ganhou um concurso de dança lá; como foi isso?

 

Eu estava aqui em Cachoeiro e a Patrícia Miranda me ligou dizendo que estavam organizando um grupo para ir a Cuba fazer um curso. Chegamos lá e foi muito bom, porque eu fazia aula de manhã em uma escola até o quinto ano e de tarde eu fazia na médio profissional, que era considerada ensino médio para eles. A gente ficou 3 semanas, sendo que, na última, estava programado de a gente descer para uma praia chamada Varadero, que é muito famosa. Quando a gente chegou no hotel, o Lázaro, um animador de piscina que ensinava ritmos cubanos, falou que precisava de um casal para representar o hotel num concurso internacional de dança que ia ter do carnaval de Cuba, como se fosse rei e rainha do carnaval. O que determina esse evento são quatro ritmos cubanos, que você precisa conhecer e fazer toda a encenação necessária. Todo mundo falou “vai, Jerê; vai, Liliane!”.

Liliane é uma outra amiga, que é dona do Espaço da Dança em Vila Velha, e a gente acabou topando. E aquele negócio de concurso internacional estava soando meio engraçado para gente, porque já estávamos ali meio de férias. No dia, ele ensaiou a gente por meia hora, sendo 12 minutos de coreografia, com quatro ritmos. Ele deu uma camisa do hotel para mim e para Liliane, a gente entrou na van e foi. E não tinha uma torcida, tinha só um amigo dele com um apito, porque se pagava para entrar e ninguém tinha mais grana no final da viagem. Mas a gente ainda estava com aquela sensação de que era uma coisa simples. Chegando lá, colocaram a gente numa sala grandona, parecia salão de igreja, aí começou a dar um frio na barriga. Nós percebemos que tinha um casal de cada país.

Aí eu fiquei sabendo que tudo de melhor de Cuba estava ali, todas as companhias estatais de cultura estavam lá, os cantores todos estavam lá, e a gente achando que seria uma coisa boba, uma festinha. Eram 36 casais em três subgrupos, e a gente pegou o último grupo. Bebida para gente era de graça, começamos a beber. No segundo grupo, a Liliane falou “vamos ganhar esse negócio aqui hoje?”, aí eu disse “então vamos parar de beber”. Conclusão, a gente subiu no palco, participou de tudo e no final eles chamaram o primeiro lugar de cada ritmo; a gente ficou com primeiro lugar em conga, em mambo e primeiro lugar geral. Meu nome está lá na plaquinha, em livro!

 

P: Ao longo de sua trajetória, você optou por não sair de Cachoeiro. Como vê isso para o cenário da dança na cidade?

 

Nunca saí daqui, só saí por um ano e meio, em que eu morei em Vitória direto. Mas na época eu dançava com a companhia, fazia aula, dava aula em outros lugares, trabalhava em barzinho em Jardim da Penha, eu corria atrás porque tinha que pagar o aluguel da casinha e tinha que, de certa forma, me manter como desse ali. Na época, eu sabia que era bem puxado, mas hoje eu falo que cada roncada que a minha barriga deu de fome valeu a pena.

Valeu muito porque eu não me vejo hoje sem a dança, eu acho que a dança sempre vai existir na minha vida, acho que ela vai ser sempre meu remédio, minha cura. A minha cabeça não para de pensar em dança. Eu tento colocar a dança em tudo o que eu vejo, em todas as pessoas, então eu falo que o fato de eu ter ficado meio em uma concha aqui no Sul me fez, de certa forma, ver a dança por um outro lado.

Eu sou praticamente o fundador de um projeto aqui, o Projeto Mova-se, que é de inclusão, de acessibilidade; eu sempre me apeguei muito às causas sociais, sempre que eu dava aula na academia, pegava criança na escola e levava, arrumava madrinha para pagar uniforme, para pagar uma roupinha para dançar. Sempre tive essa mão. Porque eu acho que as pessoas merecem isso. Eu não posso trabalhar com uma coisa que seja limitada apenas para quem tem condição de pagar. Acho que todo mundo tem o direito de ter arte na vida, a arte salva.

Hoje, mais do que tudo, eu falo que a dança é remédio, que a dança é pomada, que a dança cura amor que se foi, então a dança faz um monte de coisa dentro da gente. E ainda hoje, em pleno século XXI, a gente ainda sofre muito preconceito, quando os nossos ancestrais dançavam para tudo, se chovia, eles dançavam para agradecer, se não tinha chuva, eles dançavam para pedir.

 

P: Você desenvolveu projeto com a APAE; projeto Dançarte; ganhou título de Guardião da Solidariedade, em 2013. Conte um pouco mais sobre sua atuação em projetos sociais.

 

Hoje eu trabalho com as aulas de ballet com as crianças a partir de 3, 4 anos. E quando eu comecei a pegar cerca de 20 crianças na escola para dar aula de dança, não me contentei com aquilo; aí na semana seguinte eu estava dentro da escola de surdos, pedi ao diretor da escola de surdos para eu tentar fazer um trabalho com eles, que eu não conhecia, porque eu não tinha formação em dança adaptada, então eu fui muito no meu impulso, no meu instinto. Deu certo, falei “vou ficar vindo toda semana aqui também”, na semana seguinte eu fui para a APAE, cheguei lá e conheci um monte de crianças com síndrome de down, eu fiquei apaixonado. Conheci as pessoas que tiveram paralisia cerebral, cadeirantes, e pronto, ali eu estava com ingrediente para fazer uma salada muito boa, muito gostosa. E comecei também a entrar nesse universo das outras deficiências.

 

P: Você realmente entende a dança como sendo para todos...

 

Sim. E eu gosto muito de explorar os limites das pessoas. Teve uma coreografia que a gente fez que tinha três alunos cadeirantes lá da APAE. No ano seguinte eu voltei na APAE (porque sempre faço esse trabalho no primeiro semestre), quando eu cheguei na quadra, tinha um aluno cadeirante jogando futebol. Isso porque, no ano anterior, eu falei “você vai descer da cadeira e vai voltar”, então ele se virava para descer da cadeira, dançava no chão, depois ele voltava para a cadeira. Era uma coisa que ele não fazia antes, ele foi estimulado a fazer, artisticamente. E quando ele percebeu que ele conseguiu fazer aquilo, deu um gás nele e ele estava jogando futebol.

Então eu falo que aonde a dança vai, ela puxa coisa da gente, ela te faz chegar a lugares onde você não imaginava. E em 2004 nasceu o Projeto Gente, que é esse projeto de dança inclusiva. No ano seguinte, o grupo do NCD foi dançar em Vargem Alta. Cheguei lá, uma amiga minha, que foi minha amiga de escola e que tinha perdido a visão, estava sentada na plateia, e eu cheguei perto dela, sentei, me apresentei. A gente sempre foi amigo. Aí eu perguntei “você quer dançar comigo?”. A coluna dela ficou ereta e respondeu “é sério?”. Eu disse “é, você quer dançar?”. Ela disse “quero!”, e Maristela passou a fazer parte desse elenco de convidados. Todo ano, quando ela pode, a gente monta números, sempre com alguém dançando junto. Descobri formas diferentes para trabalhar com cada deficiência.

 

P: Você deve ter aprendido muito, né?

 

Foi e está sendo uma grande escola, ao mesmo tempo uma realização, porque eu estou vendo que a dança está sendo para mim, hoje, realmente tudo o que eu sempre imaginei. E eu monto esse espetáculo e coloco meus alunos de ballet para conviver com essa realidade, com essas diferenças, para, quem sabe, torná-los cidadãos melhores, com respeito ao ser humano, com empatia.

E eu vejo coisas maravilhosas ali na coxia, nos bastidores, criança conversando com surdo sem nunca ter feito nenhum curso de Libras. Acho que, quando se ama, existe um código, essa comunicação acontece de uma forma muito verdadeira. No final, na hora de agradecer, criança brigando para empurrar a cadeira de rodas, para entrar no palco. Então eu acho que consegui atingir meu objetivo com ser humano, como professor de dança e como uma pessoa que acredita no real poder da dança para a humanidade. Eu acho que a dança é realmente uma arma do bem para que as pessoas se sintam melhores e se vejam melhores.

 

P: O Núcleo Cachoeirense de Dança (NCD), quando e como surgiu?

 

O Núcleo surgiu em 1991, lá na academia da Jerusa Altoé. Comecei a fazer um trabalho lá bem legal, eu ainda estava em processo com a companhia. Eu fiquei lá por dez anos, e depois eu fui para uma sala que a gente pegou lá no Centro e eu fui mudando e, desde 2007, estou na academia onde trabalho até hoje. O Núcleo me deu muitas coisas boas também, de trabalho que a gente montou, de festivais de fim de ano, um grupinho que eu formei lá dentro, porque a gente tem uma realidade ainda aqui... hoje já existem algumas faculdades, mas antes ninguém ficava, todo mundo, chegava uma época, tinha que sair da cidade. Quando o aluno chegava num ponto legal para começar a dançar, tinha que sair por conta de estudo e não voltava mais.

Atualmente, aqui em Cachoeiro, particularmente, a gente está sofrendo muito, porque há dois anos nós estamos sem teatro devido à enchente. Quase um ano depois da enchente, veio a pandemia. E infelizmente eu não ouço falar nada, de ninguém, sobre uma esperança, que seja, para que o teatro volte a funcionar a todo vapor, porque é um público muito grande que depende disso, de artistas e pessoas que trabalham nisso, e o teatro aqui, acho que como em todo lugar, funciona como uma grande máquina de fazer cultura. O tempo inteiro tem gente aprendendo, tem gente nova aparecendo, então essa roda parar de girar é uma coisa muito ruim, porque você se sente limitado.

 

P: Falando do Teatro Rubem Braga, você levou muita gente para aquele palco, não é? Jovens que talvez nem sonhassem em se apresentar em um teatro como aquele.

 

Muitos. Esse projeto mesmo... De 2000 até 2004 eu tive um projeto com a Prefeitura, em que a gente trabalhava com 100 alunos da rede pública, em 4 turmas de 25 alunos por ano. Todos os bairros periféricos, todos os “Altos”, como falo, Alto Zumbi, Alto Coramara, Alto União, Alto Village... eu consegui descer com aluno para fazer aula ali no Centro. A gente trabalhou com quase todas as escolas da rede pública aqui na época.

Então é uma pena que esses projetos não tenham continuidade, porque troca-se o prefeito e tudo muda. As pessoas não têm interesse em continuidade, as coisas sempre se quebram, e aí você tem que partir do zero novamente. Se não tivesse parado, o movimento da dança hoje seria outro aqui. A gente tinha o festival de dança das escolas, que levava dez mil pessoas de público para os ginásios de esportes lá na Nova Brasília. Foi uma época legal, porque você via muita gente talentosa, tanto dançando quanto coreografando. Isso acabou. O grande fomentador da dança, na minha opinião, foi esse festival.

 

P: Você acredita que a dança é uma forma de transformação social?

 

Acredito, através dessas políticas públicas, em primeiro lugar. Promover a chegada da dança em lugares que muita gente acha que é impossível; tem que ter bons profissionais, pessoas que queiram realmente se despir de qualquer coisa para poder fazer esse objetivo ser atingido, porque nem sempre chegar a essas crianças é fácil. A gente precisa de pessoas que façam e que tenham essa paciência de quebrar esse gelo, de chegar ali e começar a crescer o trabalho junto àquela criança. E encontrar pessoas e órgãos que se comprometam em ajudar a conclusão dessas ideias e fazer com que isso se perpetue, e não deixar como se fosse uma ação da “minha pasta”. A dança, como qualquer outra atividade, tem que ter continuidade, você não faz um ano, dois anos e se forma, tem que haver uma continuidade. E aqui principalmente, em Cachoeiro, a gente precisa de mais espaços culturais para a cidade. A cidade está crescendo e nós não temos quase nada aqui, e o que tem está parado. Então eu acho que tem que ter mais envolvimento político, a união dos artistas mesmo e acho que tem que haver uma ação para que comecem a mudar as coisas.

 

P: E você em cena, quando poderemos ver novamente?

 

Eu tinha uma vontade de fazer alguma coisa no ano que vem. Ano que vem eu faço 60 anos, então eu queria fazer alguma coisa, mesmo que seja simples, porque eu parei de dançar, eu não me apresento há uns seis anos. Quando eu entro agora faço o vovô do ballet, um personagem que pode ser alguém mais gordinho, um pouco lento, que não tem que fazer pirueta, saltar muito. Mas estou aí! Vamos ver se a gente começa a trabalhar um pouco nisso. Se rolar um solo, vou chamar vocês para virem assistir!

 

P: Você parece conjugar a dança também com a terapia, além da educação...

 

Eu carrego para esse lado, então eu gosto de tudo, dançar descalço na grama, aquelas coisa da bioenergética ou da biodança, é muito bacana você dançar os sons, os ventos, o movimento das árvores, eu gosto muito disso, eu presto muita atenção nessas coisas. E você sente que é tudo vivo, o universo está em movimento o tempo inteiro, ele está dançando o tempo inteiro, então por que a gente não pode também dançar? Temos que dançar. Que seja numa boate, que seja num desfile de escola de samba, que seja onde for, mas dance, se mexa, dançar aumenta a nossa imunidade, dançar só faz coisa boa dentro da gente.

Todo mundo merece buscar sua felicidade, que seja na dança, que seja no teatro, que seja nas artes. A arte não pode sair da vida de ninguém, a arte sempre esteve presente. Temos que fomentar esse público, fazer com que a arte cresça no meio de cada um, porque acho que tudo vai ser mais fácil quando você estiver de mãos dadas com a arte.


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